quinta-feira, 12 de junho de 2008

São João – Múltiplas Facetas



Um verdadeiro caldeirão cultural se forma nessa época do ano. O São João no Norte e Nordeste é pulsante e atrai milhões de pessoas a cada ano. A festa junina celebra três santos católicos: São João (24/06), São Pedro (29/06) e Santo Antônio (13/06).
Trazida pelos portugueses a festa ganhou grandes proporções no nordeste, por ser uma área árida, e em agradecimento as chuvas desta época do ano, se realiza a tradicional festa junina a Santo Antônio, São João e São Pedro.
O que faz então essa festa ser um caldeirão de cultura? A peculiaridade de cada estado em fazer a sua festa.
No Maranhão a festa é marcada pelo Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula, danças com raízes africanas e indígenas. No Ceará existe a tradicional festa do Pau da Bandeira, em celebração a Santo Antônio.
Em quatro lugares a festa toma grandes proporções, chegando a ter uma disputa para saber quem tem o maior São João do Nordeste e do mundo. Em Aracaju, Sergipe, um ônibus leva os turistas a passeio pela cidade, para depois seguir até o grande arraial, o ônibus tem o nome de Marinete do Forró. No Rio Grande do Norte a festa fica por conta de Mossoró, uma pequena cidade, mas com grande entusiasmo. A representação da batalha do povo de Mossoró com o bando de Lampião, denominada de “A Chuva de Bala no País de Mossoró”, é feita em frente à capela São Vicente, e virou uma grande atração na cidade tipicamente junina.
Mas, falar em São João é falar de duas cidades nordestinas que brigam, passivamente, pelo titulo de maior São João do mundo: Caruaru e Campina Grande, apesar do Guines Book dar o titulo a Caruaru. Campina Grande, na Paraíba, traz a famosa corrida de jegue, animal bastante conhecido do nordestino. No pátio do povo grandiosas quadrilhas se apresentam juntamente com trios pé-de-serra e banda de pífanos. Em Caruaru, Pernambuco, o “folião junino” irá se deparar com a festa dos fogueteiros e baloeiros, onde gigantescos balões decoram o céu da cidade, além das famosas “drilhas”- uma espécie de blocos que festejam o São João, que arrastam multidões pelas ruas e ainda o cuscuz gigante, assim como o pé-de-moleque, o bolo de milho...
Enfim, não se pode negar a diversidade junina, e o bom é saber que é da terra, é nosso, e devemos valorizar as nossas raízes e a nossa cultura.

Isabella Soares

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O GRUPO BERLINDA-TRIBO DE ATUADORES E O ESCOLA DE MENINAS


“ Nascer bonito assim vale mais que dinheiro. Se eu tivesse o seu corpo eu faria mil cornudos!” Sr. Arnolfo- Escola de Meninas




O município de Jaboatão dos Guararapes é conhecido dentro e fora de Pernambuco como uma das três cidades mais importantes cidades do estado. Jaboatão é o segundo maior colégio eleitoral estadual e é, portanto, de inegável significância no que diz respeito ao futuro da região em todos os aspectos. Entretanto, no que concerne ao âmbito dos movimentos culturais, a cidade perde o brilho de todo o prestígio que aparentemente lhe é incumbido através da influencia que exerce na esfera político-econômica. Os artistas da cidade encontram-se desamparados por uma prefeitura e uma secretaria de cultura que não funciona e nem tampouco se preocupa em ser útil. Atores e pessoas ligadas ao movimento artístico da cidade-que só sobrevive graças à persistência de alguns mais engajados que conhecem a importância da arte na formação do ser humano enquanto trabalho e necessidade-não têm onde expor os seus trabalhos. O município não tem espaços culturais, teatro municipal ou particular.

É exatamente nesse contexto que surge o grupo “Berlinda-Tribo de Atuadores”, nascido a partir do desejo de experimentação e pesquisa teatral por parte de seus componentes aliado à vontade de incitar mudanças na cena cultural. Formado por aprendizes-atores, o grupo emerge da motivação coletiva de seus integrantes de proporcionar àqueles que não tem acesso à arte teatral a oportunidade de conhecer melhor um pouco do mundo da cena -tão encantador e tão complexo- não importando a classe social credo ou cor dos espectadores.

Embora o grupo seja declaradamente apolítico, o nosso trabalho tem como objetivos principais a democratização do teatro além da constante realização de experimentos cênicos e assim proporcionar o crescimento pessoal-artístico tanto de seus membros, quanto daqueles que nos assistem. Acreditamos que só há obra de arte se existirem olhos para contemplá-la.

E como primeira obra, o Berlinda- Tribo de Atuadores levou ao público o espetáculo “Escola de Meninas”, baseado no clássico francês de Moliére “Escola de Mulheres”. Através de uma proposta de encenação nada convencional que engloba grande parte dos elementos de cena- desde o figurino, cenário, sonoplastia até a interpretação dos atores- “Escola de Meninas” veio à cena pela primeira vez em Novembro de 2007 dentro da VII- Mosteja(Mostra de Teatro de Jaboatão). A montagem foi recebida com elogios por parte do público e da crítica, três indicações(Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante) e quatro prêmios (Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Maquiagem e Melhor Figurino).

O Escola de Meninas é um espetáculo nascido de árduo trabalho realizado por um grupo jovem e ousado que merece ser visto e mostrado.Essa adaptação do clássico Escola de Mulheres,de Moliére e conta a história do Sr. Arnolfo, que para não sofrer as conseqüências do adultério que tanto temia, criou uma menina, Inês, a partir de sua receita infalível de mulher honesta(submissa, ignorante e prendada nas tarefas domésticas), com a qual se casaria. No entanto, Inês, a escolhida, ironicamente, apaixona-se por Horácio, filho de Oronte, seu amigo pessoal e dá início a uma série de divertidas e hilárias confusões.

O Espetáculo “Escola de Meninas” estará em cartaz todos os sábados e domingos de junho, sempre às 20hs, no Teatro Joaquim Cardozo. Os ingressos custam 10 reais(inteira) e 5 reais(meia-entrada) e o Grupo Berlinda- Tribo de Atuadores espera todos vocês por lá, para que juntos possamos embarcar no mundo maravilhoso e encantador do Teatro.

Samantha Medina

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Cultura Digital


A cultura digital promove uma abertura na troca de informações e criações pela rede. Esta nova forma de difusão de conteúdo coloca em pauta o direito autoral, promovendo discussão entre pessoas que divulgam seus texto na rede e aqueles que sem colocar seu texto, o tem veiculado.
O escritor Paulo Coelho em entrevista para o TorrentFreak, uma espécie de bíblia para os usuários da rede e que trocam livremente suas informações, diz “Desde o início dos tempos, os seres humanos têm a necessidade de compartilhar - da comida à arte. Compartilhar faz parte da condição humana. Uma pessoa que não compartilha não é somente egoísta, mas amarga e solitária”. Há pouco mais de um ano, o escritor tem um blog onde coloca a disposição do publico downloads de seus livros, e diz ter atingido seu objetivo, que milhões de pessoas tivessem acesso aos seus livros.
Usar a internet, ou rede mundial de computadores, como forma de difusão de textos tem sido utilizado com maior freqüência, à sociedade tem sofrido diversas variações com o grande aumento da quantidade de informações. Em média a cada 4 segundos se coloca uma nova notícia ou se atualiza algum dado nos sites de notícia. Devem-se ter cuidados ao se obter ou colocar textos na internet, verificar se o site é de confiança e se for publicar o seu texto sempre assiná-lo.


Isabella Soares

sábado, 17 de maio de 2008

Palco Giratório


Criado desde 1998, o objetivo foi difundir e descentralizar as artes cênicas. E este ano com o tema “um mosaico de diversidade cênica”, engloba todo o seu objetivo e foco. Este ano o Palco Giratório Recife trás 30 grupos entre companhias de vários estados e convidados locais.
Sem duvida este mosaico nos trás um pouco de cada canto do país. Os escolhidos passaram pelo olhar de 26 curados, que para formar este mosaico nos trouxe espetáculos de teatro, circo-teatro, dança e animação. Um projeto para todos os públicos e gostos, com a multiplicidade do momento que vivemos a contemporaneidade.


Isabella Soares

Desconstrução do Comum


A cena pernambucana pôde prestigiar na última quarta-feira através do Palco Giratório, movimento conduzido pelo SESC que promove o intercambio das práticas das artes cênicas no país, o espetáculo O Porco. Aclamado pela crítica e pelo público a encenação propõe uma relação intimista com a platéia e um teatro livre de clichês e vícios.
A obra original Strategie pour deux jambons, escrito em 1978 por Raymond Cousse foi publicado como romance e teve sua adaptação para o teatro no ano seguinte pelo próprio autor assim como a encenação da obra. O sucesso foi tamanho em toda Europa que logo vieram montagens em outros países. Aqui no Brasil o espetáculo é fruto de um processo de pesquisa no Lince- Laboratório do Ator, do departamento de Artes Cênicas da USP, coordenado por Antônio Januzelli que é diretor do espetáculo.
A peça revela as lembranças, os sonhos, os desejos de um porco a caminho do abate, que não é nada mais do que o reflexo do homem condicionado em seu espaço. Utilizando de uma simplicidade cênica o cenário é composto por um quadrado vazio preenchido apenas pela figura do ator, um balde de alumínio, uma porta e um tijolo pendurado em um lado da cena. A iluminação também não foi explorada em suas variantes e o figurino segue essa linha simplória, constituído apenas por um paletó velho e uma bermuda rasgada. O foco dessa montagem é o ator, que para colocar seu corpo de forma sensível no espaço cênico, mergulhou em um processo de trabalho de quatro anos. A interpretação foge da imitação de um porco mas antes preocupa-se em tornar desnudo o corpo do ator, que segundo Januzelli, é cheio de vícios e clichês trazidos do cotidiano. Para ele é preciso efetuar uma limpeza das máscaras musculares, retirar o que está mecanizado. A cena foi sendo revelada através do processo de trabalho a partir da idéia do fazer teatral como exercício de vida. E afirma o diretor com a provação de Henrique Schefer, ator do espetáculo: “ainda não terminou”.
Fica facilmente estampada a relação ética entre Januzelli e Schafer, assim como a relação de cumplicidade e confiança estabelecida entre ambos, elementos fundamentais quando se diz respeito à vida teatral. Porém isso é algo que em uma época fast-food, em que se falta tempo para se fazer tudo, que a velocidade é comandada segundo o capital, é surpreendente o tempo que estes homens se dedicaram ao exercício teatral porque tais profissionais comprometidos estão escassos.
Em contraposição a essa maneira de conceber teatro nos deparamos com atores e mercado puramente comerciais, que não estão preocupados em engrandecer o teatro, mas usar este como escada, um meio de satisfazer seus desejos narcisistas sem qualquer comprometimento artístico, cuidado estético, ou levar ao público material de qualidade, formar uma platéia. Outra manifestação desse falso ator é a sua desconcentração, sua irresponsabilidade e brincadeiras durante o processo de trabalho. Tais escarnecedores da arte deveriam pensar seriamente em outro destino profissional, ser Big Brother ou modelo ou ainda, colocar não apenas uma melancia na cabeça, mas toda uma quitanda de frutas e verduras e depois pôr-se a desfilar pelas ruas. Definitivamente que estes caiam em si e DEIXEM DE PROSTITUIR A ARTE! Entro em questionamento com resposta definitiva com relação a esse aspecto: o teatro não precisa desses desatores, pois estes provocam um desfavor a essa arte e a população, já que é um trabalho que presta favor social. Se nós não acreditarmos com tudo o que somos no ofício que exercemos e não tratarmos com seriedade e responsabilidade necessária, nós que nos dizemos filhos de Dionísio. Quem mais vai fazer isso?
O teatro clama por atores, cenógrafos, diretores, maquiadores, contra-regras, entre outros profissionais que fazem essa arte acontecer, enfim, pessoas apaixonadas pelo seu trabalho, comprometidas, responsáveis, que trate a arte com o merecido respeito. “A maioria das pessoas não tem necessidade de nós”, como fala na tão usada carta de Eugênio Barba direcionada ao “ator D”. Torna-se fundamental cairmos na reflexão e nos perguntarmos se realmente merecemos o teatro. Se queremos e podemos fazê-lo. Seja através da comédia, da tragédia, do realismo ou do épico ou ainda da hibridização performática que define o palco contemporâneo, o importante é preocupar-se com a qualidade, é o comprometimento com o público, possuir a fé de uma criança e o espírito revolucionário de um adolescente para fazer com que essa arte jamais desfaleça. É preciso defendê-la com identidade e com garra!

Vinicius Vieira